• Equipe Artistas Latinas

Conheça o Projeto Afro, importante plataforma de mapeamento da arte afro-brasileira

Plataforma de mapeamento de artistas negros/as pretende ser um espaço multiplicador e de difusão da arte afro-brasileira


O Projeto Afro (www.projetoafro.com), plataforma de mapeamento e difusão de artistas visuais negros/as, teve seu site lançado no dia 21 de junho. A plataforma apresenta uma pesquisa iniciada em 2017 pelo jornalista e editor do site Deri Andrade, especialista em Cultura, Educação e Relações Étnico-raciais (USP), na qual mapeia a produção de autoria negra no Brasil exibindo sua multiplicidade, seus inter-relacionamentos e sua abrangência.

“Antes da pandemia do coronavírus, o lançamento do site já estava programado para essa data. Após os últimos acontecimentos acerca das discussões sobre racismo que ganharam mais força nos canais digitais e nos debates acadêmicos, o portal nasce em um importante momento de aprofundamento dessas ideias, enquanto instrumento na luta antirracista”, explica Deri Andrade.

A pesquisa foi realizada em três fases. Na primeira delas, foram estudados catálogos de exposições, livros e publicações sobre a temática; na segunda, foram analisados portfólios de artistas recebidos após uma convocatória via internet; na terceira, um formulário respondido pelos artistas auxiliou na organização do material. Mesmo após o lançamento do site, o mapeamento continuará sendo realizado, com os dados atualizados constantemente na plataforma.

O conteúdo reunido até aqui foi dividido em seções no site que convidam o visitante a navegar por diferentes aspectos da produção negra. Na página inicial, seremos recebidos por um mapa do Brasil que indica as localidades dos artistas, a partir do estado de nascimento de cada um deles. Continuando a navegação, veremos textos colaborativos, entrevistas com pensadores, curadores e artistas, que também ganham destaque semanal na seção Artista da Semana. “Esses artigos serão valiosas ferramentas de propagação desses pensamentos”, comenta Andrade.

Nos perfis de artistas, poderemos encontrar informações sobre suas trajetórias, exposições, museus que abrigam seus trabalhos nos acervos e galeria de imagens. De forma cruzada, o site permite que a busca pelas páginas possa ser feita a partir de dados geográficos, ano de nascimento e técnicas. Completam o conteúdo uma seleção de artigos acadêmicos, dissertações e teses que tratam da temática no âmbito da academia. Uma Agenda traz ainda indicação de eventos, entre exposições, debates e encontros, com foco na pesquisa tema do Projeto Afro.

Parte desse conteúdo já vem sendo publicado nas redes sociais do projeto desde 2018, Facebook (@projeto.afro) e Instagram (@projeto.afro), garantindo informações sobre os/as artistas enquanto aguardávamos o lançamento do site.


Além do online

“Para o Projeto Afro, o conceito de plataforma ultrapassa os limites do campo digital”, comenta Andrade. Em 2019, o projeto foi correalizador do encontro “A mão afro-brasileira: 30 anos depois” no Museu de Arte Moderna de São Paulo. A mesa teve a presença de Hélio Menezes, antropólogo e curador, Márcio Farias, pesquisador, e mediação de Juliana dos Santos, artista visual, mestre em arte-educação, arte/educadora. Já em 2020, pouco antes da pandemia da Covid-19, o Projeto Afro foi apoiador no ciclo de encontros “Resistência negra em movimento: um diálogo sobre arte e sociedade”, realizado no Sesc Santana, em São Paulo. Os debates tiveram Deri Andrade e Leonardo Fabri, sociólogo e cientista político, como proponentes, com participação de Wallessandra Souza Rodrigues, cientista social.


Pesquisa e concepção

Deri Andrade, alagoano radicado em São Paulo, é jornalista (Centro Universitário Tiradentes - Unit), com especialização em Cultura, Educação e Relações Étnico-raciais pelo CELACC - Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação (USP), onde aprofundou suas pesquisas sobre arte afro-brasileira, investigando a correlação entre conteúdo e forma presente nas poéticas de artistas negras e negros. É aluno especial de mestrado no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte (USP), na disciplina História da Arte Contemporânea. Desenvolveu a plataforma Projeto Afro, resultado de um mapeamento de artistas visuais negras e negros em âmbito nacional, por entender que a arte é um importante campo de disputa e também instrumento catalisador na luta antirracista. Tem passagens por instituições culturais, entre elas o Museu de Arte Moderna de São Paulo (atualmente), a Unibes Cultural e o Instituto Brincante.

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