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História da [p]Arte: Revisitando a exposição Mulheres Radicais - O que é possível aprender com ela?

Um dos marcos na recente história de mulheres latino-americanas foi a realização da exposição mulheres radicais. Uma mostra que teve como recorte de tempo as produções de 1960 a 1985. Trazendo uma nova representação e postura feminina, em especial o corpo, para além dos estereótipos tradicionais que sempre foram visados em artes.

Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985”, esteve na Pinacoteca de São Paulo, de 18/08/2018 a 19/11/2018. Foi uma exposição itinerante, antes do Brasil, tinha passado por Los Angeles (Hammer Museum) e por Nova Iorque (Brooklyn Museum). Resultado da pesquisa e curadoria de Cecilia Fajardo-Hill, Andrea Giunta e Valéria Piccoli (na edição brasileira).

(teaser – divulgação da mostra)


A dinâmica da mostra, foi interessante por visibilizar as produções artísticas da mulheres, mas também por integrar geograficamente a América Latina, em especial o Brasil onde o pertencimento latino, ainda é muito distante. Então, aqui estamos, em um site de artistas

latinas, destacando nossa latinidade. Quem acompanha o instagram de artistas latinas, já conhece algumas obras que estiveram na mostra. Portanto, vou destacar duas importantes criações neste post.


Beatriz González



Beatriz, artista colombiana, e sua vênus que como o título da obra indica é para lavar e usar. Relacionando o uso tradicional da iconografia da vênus na história da arte, com tarefas domésticas atribuídas às mulheres, é uma das relações que podemos fazer. A eterna idealização do corpo feminino, aqui transportada para o cotidiano, uma toalha de banho. Vênus, do mar mitológico para o nosso banheiro.

Outro destaque é obra da artista mexicana, que também articulada com representação icônica, muito popular na cultura latina, a virgem de Guadalupe.



















Beatriz González

"Botticelli Wash and Wear” , 1976, Acrílica sobre toalha.

Dimensões: 118 1/8 × 39 3/8 × 3 15/16 pol. (300 × 100 × 10 cm).

Coleção privada.



Yolanda López

A artista, usurpa o lugar da virgem, símbolo imaculado da igreja católica. A história acerca da virgem de Guadalupe, é uma das tantas apropriações colonizadoras que tivemos na América Latina. No caso do México, foi aproveitar a fé dos povos originários que lá viviam, em especial os astecas que cultuavam as divindades femininas de Tonantzin. Os espanhóis, usaram a mitologia local para conversão ao catolicismo, batizando com o nome de Guadalupe. Não usei o termo usurpar, por acaso, é sim uma relação com a novela Usurpadora, já que a virgem de Guadalupe se tornou muito mais conhecida no Brasil, por estar presente nos cenários das novelas mexicanas.

Nesta interseção de poderes, na construção de imaginários, temos: Televisa (mídia mexicana), igreja católica e Estado. Por se tratar de uma iconografia muito popular, a artista nesta obra, questiona politicamente, religiosamente, o corpo feminino latino. É fazer justiça a representação, seu corpo presente, de uma mulher mexicana, está no lugar de uma imagem que foi alterada ao longo dos anos, que por vezes, se associava mais a uma virgem europeia, que latina.










Yolanda López

Da série “Tableaux Vivant” , 1978.

Doze fotografias coloridas. Fotografia: Susan Mogul.

Dimensões: 14 × 9 1/4 pol. (35,6 × 23,5 cm) cada.



(reportagem sobre mostra e fala com artistas)


Para saber mais: recomendo o catálogo da exposição. Rico material e super referência para conhecer mais artistas latinas. Um marco feminista, na recente história da arte.


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por

Jacinta Griebeler (Tita)

https://www.instagram.com/historiadaparte/


Sobre a autora

É Tradutora de língua espanhola, Acadêmica de Artes Visuais na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e atua como mediadora e propositora educativa em espaços expositivos na FUNDARTE/ RS.



Este post foi realizado em uma parceria entre as páginas Artistas Latinas e História da (p)Arte.

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