Marilyn Boror Bor

GUATEMALA

1984

Marilyn Boror Bor é artista visual e professora Maya-Kaqchikel, originária de San Juan Sacatepéquez. É bacharel em Artes pela Universidade de San Carlos na Guatemala (2012). Suas obras são um confronto para a sociedade guatemalteca ocidentalizada, racista e patriarcal, uma vez que a Guatemala é um país onde a grande maioria dos habitantes são descendentes de povos indígenas, fortemente marginalizados. A artista retrata em sua produção artística ações que incitam à reflexão e à crítica desta problemática. O primeiro trabalho a ser destacado é "Para no olvidar sus nombres" (2014), resultado de um estudo de anos, onde a artista nomeia diferentes objetos dentro do perímetro urbano em duas línguas - espanhol e Maya-Kaqchikel, mas isso pode ser subtituído, dependendo o país onde a instalação está localizada. Este Site Specific é representado por várias etiquetas brancas com as palavras Ruchi’béy - Acera, Tz’eteb’al - ventana, Na Oj - Arte, entre outras, que são colocadas como sinais que nomeiam as partes que constituem uma cidade. Essa ação se repetiu na Costa Rica com a língua Cábecar e no Canadá com a língua Ojibwe.

Também podemos perceber essa relação de palavras nos dois idiomas na instalação Kakchikel-slash-kaxlan (2014) onde a artista responde, “Duas palavras construídas com conceitos pejorativos sobre os significados de cada uma KAQCHIKEL (indígena, índio, nativo, nativo, ingênuo, inculto, maneiras rústicas) e Kaxlan (ladino, espanhol, não nosso, mestiço, crioulo, castelhano, língua estrangeira”).A artista faz uma videoinstalação onde imprime com dois carimbos, as duas palavras, seguidas da frase anterior, que formam um díptico com a palavra composta Kakchikel-slash-kaxlan. Dentro de sua produção artística, há uma série de trabalhos em torno da ação performativa Edicto, Cambio de Nombre (2018-2020) - Nesta pesquisa, a artista troca seus sobrenomes Boror Bor pelos sobrenomes "Castillo, Novella", sobrenomes que contêm uma grande história de famílias dinheiradas no país. Ele abre legalmente uma ação para mudar seus sobrenomes no dia 3 de agosto de 2018 para Marilyn Castillo Novella, em resposta e peso ao pensamento da sociedade racista do país.

Esta ação faz parte da série Lápida de Disfunción I e II para a qual se escreve a ação da substituição com a data no qual a artista troca seu sobrenome, seguida da frase “Em memória dos órfãos Maias violados pelo estado racista da Guatemala” (lápida de Disfunción II), atualmente adquirida pelo Museu Reina Sofia, Madrid, Espanha. A instalação Archivo de los Muertos, obra da serie Edicto Cambio de Nombre, é feita numa impressão digital em que se é colocada a lista de pessoas que mudaram legalmente de nome/ sobrenome durante novembro de 2017 na Guatemala, eliminando o traço de um sobrenome indígena para garantir uma posição favorável nos diferentes níveis sociais do país. Atualmente, a artista segue investigando a idiossincrasia com que se construiu a história guatemalteca, revelando sua problemática social como um ato para discutir dilemas que continuam sendo ignorados.

A artista participou de várias exposições como na XIX Bienal de Arte Paiz TRANSVISIBLES - Guatemala (2014), XX Bienal de Arte Paiz ORDINARIO / EXTRAORDINARIO - Guatemala (2016), II Bienal Sur Pueblos en Resistencia - Instituto de las Artes de la Imagem e Espaço, Ministério do Poder Popular para a Cultura da Venezuela (2017), Exposição Individual Paraísos Ajenos, Museu UNIS, Universidad del Istmo - Guatemala (2017), Arte + Feminismos - CASA MA - San José, Costa Rica (2018), Este pode ser um lugar para beija-flores - Korner Park Gallery, Berlin, Germany (2020), entre outras.

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