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História da [p]Arte: “As veias abertas da América Latina” na pandemia: violências de gênero

Atualizado: 1 de Nov de 2020

O importante livro do escrito uruguaio Eduardo Galeano, “As veias abertas da América Latina”, segue atual, infelizmente. Livro foi escrito em 1970, com governos ditatoriais no poder, realizando um resgate desde a colonização europeia ao domínio continental pelos Estados Unidos. Agora, em situação de confinamento, o nosso continente revela que segue igualmente segregado, dominado, onde a violência de gênero - seja ela física, psicológica ou econômica - só cresceu.

Destaque midiático durante a pandemia, a parcela da população que teve que trabalhar durante a chamada linha de frente era composta massivamente por mulheres. Neste post, abordaremos quem nos ajuda a tencionar as problemáticas das mulheres latinas, as artistas.

Paola Paredes, Equador,

Em seu instagram, Paola divulga as fotografias, de trabalhadorxs que não pararam com a pandemia. Aqui em nosso destaque, ao realizar as fotos, a artista também estava na linha de frente registrando.



Paola, e seus trabalhos sempre relevantes para a América Latina, como suas séries sobre os centros de tortura LGBT, em seu país. Ou outros importantes trabalhos da artista, visibilizando a população indígena feminina: mujeres en el paro

Outro ponto alarmante foi o aumento da violência doméstica contra as mulheres, que sempre existiu, mas o confinamento intensificou. Coletivos femininos de latino-americanas, denunciaram a escalada da violência. Um dos trabalhos que recuperamos, foi da artista mexicana, Elina Chauvet: E sua obra marcante na recente história das mulheres latinas: os sapatos vermelhos espalhados pelas cidades.


A artista com a instalação "Zapatos Rojos", instalação de arte pública.


Rojo (vermelho), faz referência ao sangue oriundo da violência, mas também é a cor que simboliza o amor, o coração. Para realizar a instalação, a artista solicitava doações de sapatos e realizava a ação, que já foi montada em várias cidades na América Latina e Espanha. Cada sapato doado, conecta à rede acerca da temática. Uma obra coletiva, como destaca a artista. Em Buenos Aires, o coletivo Ni una menos, convidou a artista para montar a instalação na Argentina. Elina é uma das artistas que participaram da edição online da 12 Bienal do Mercosul deste ano.


Obra, em Málaga (Espanha):


Nossas veias seguem abertas e sangrando, mas na rede de apoio também, estamos conectadas.


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por

Jacinta Griebeler (Tita)

https://www.instagram.com/historiadaparte/


Sobre a autora

É Tradutora de língua espanhola, Acadêmica de Artes Visuais na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e atua como mediadora e propositora educativa em espaços expositivos na FUNDARTE/ RS.



Este post foi realizado em uma parceria entre as páginas Artistas Latinas e História da (p)Arte.

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