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  • Foto do escritorEquipe Artistas Latinas

Mulheres no MASP: Veja as individuais de Aline Motta, Judith Lauand e Madalena Santos Reinbolt

As três exposições, em cartaz no museu, fazem parte da programação anual dedicada às Histórias brasileiras.


O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta três mostras individuais das artistas Aline Motta, Judith Lauand e Madalena Santos Reinbolt, como parte de sua programação anual dedicada às Histórias brasileiras.


Em Judith Lauand: desvio concreto, são apresentados 124 trabalhos no ano do seu centenário, que propõem uma revisão da trajetória de mais de sete décadas da primeira artista concreta do Brasil.

A mostra Madalena Santos Reinbolt: uma cabeça cheia de planetas é a primeira exposição dedicada à obra da artista autodidata, reunindo 44 pinturas e tapeçarias da artista baiana, que foi pioneira na produção de arte têxtil.

A Sala de vídeo apresenta três vídeos da artista Aline Motta, que utilizam da ficção e da poesia para analisar apagamentos históricos da identidade brasileira.


Aline Motta, (Outros) Fundamentos, 2017-2019 (frame de vídeo). Cortesia da artista

Sala de vídeo: Aline Motta

De 25 de novembro de 2022 a 22 de janeiro de 2023, no 2o subsolo do museu, Sala de vídeo: Aline Motta, que exibe a trilogia de vídeos Pontes sobre abismos (2017), Se o mar tivesse varandas (2017) e (Outros) Fundamentos (2017-2019). Com curadoria de Leandro Muniz, assistente curatorial do MASP, os projetos dialogam com parte da história familiar da artista, como um estudo de caso sobre a formação social brasileira e, sobretudo, seus apagamentos, violências e resistências.

A artista Aline Motta (1974, Niterói, RJ) trabalha com fotografia, vídeo, instalação, performance e escrita, produzindo obras que reconfiguram memórias — em especial as afro-atlânticas —, em uma abordagem interseccional sobre questões de gênero, raça e classe. Motta constrói narrativas que evocam uma experiência não linear do tempo, na tentativa de questionar, por meio da pesquisa e da especulação, as relações entre violências estruturais, apagamentos históricos e a preservação da memória.


Em um entrelaçamento entre as esferas íntima e pública, os vídeos Pontes sobre abismos e Se o mar tivesse varandas reproduzem fotografias, materiais de arquivo pessoal e documentos oficiais sobre tecido e papel, submersos em água ou expostos ao vento em diversas cidades que a artista visitou em busca das histórias de seus antepassados. (Outros) Fundamentos atravessa cenas urbanas, religiosas e espaços domésticos com um espelho, sugerindo conexões culturais entre as cidades de Cachoeira, na Bahia, Lagos, na Nigéria, e a zona rural do Rio de Janeiro. Suas montagens fragmentadas em múltiplas temporalidades e as amplas relações entre vida e morte destacam o caráter singular e sensível de seu trabalho, para além da denúncia ou do simples registro.

“As imagens relacionadas à água nas obras aludem às cosmologias Congo-Angola, nas quais ‘Kalunga’ é uma linha fina que separa as dimensões dos vivos e dos mortos”, pontua o curador Leandro Muniz. “Elementos como fotografias e cosmogramas são repetidos em diferentes momentos dos vídeos, assim como por toda a prática da artista, em um trabalho incessante de reelaboração e ressignificação dessas histórias.”



Madalena Santos Reinbolt Sem título [Untitled], 1969-1977 Lã sobre juta [Tapestry, wool on jute] 83,5 x 103 cm Museu de Arte São Paulo Assis Chateaubriand, doação [gift] Edmar Pinto Costa, 2021 Foto [Photo]: Daniel Cabrel

Madalena Santos Reinbolt: uma cabeça cheia de planetas

De 25 de novembro de 2022 a 26 de fevereiro de 2023, a mostra monográfica Madalena Santos Reinbolt: uma cabeça cheia de planetas, que ocupa a galeria do 1o subsolo do museu. Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora-assistente do MASP, e André Mesquita, curador do MASP, a exposição reúne 44 trabalhos, entre pinturas e tapeçarias – realizadas entre as décadas de 1950 e 70 – que expressam a subjetividade imaginada da artista baiana através de um vasto mundo de personagens, paisagens e situações do cotidiano. A mostra tem patrocínio da Vivo.


Madalena Santos Reinbolt (Vitória da Conquista, BA, 1919 – Rio de Janeiro, RJ, 1977) cresceu com a família em uma pequena fazenda, onde ainda na infância teve seus primeiros contatos com o bordado, a tecelagem, a cerâmica e a pintura. No início da vida adulta, Santos Reinbolt saiu de Vitória da Conquista para trabalhar em Salvador, depois em São Paulo e no Rio de Janeiro, até chegar, em 1949, a Petrópolis, onde trabalhou na fazenda Samambaia, residência da arquiteta Lota Macedo Soares (1910-1967) e de sua companheira, a escritora estadunidense Elizabeth Bishop (1911-1979).


Embora conectada desde muito cedo ao exercício criativo, foi somente nos anos 1950 que a artista passou a se dedicar à produção de pinturas, traçando figuras sintéticas com pinceladas expressivas e utilizando suportes frágeis, como papel ou palha, indicando a importância da materialidade em sua produção. Aos poucos, as produções de Madalena Santos Reinbolt chamaram a atenção de Lota Macedo e Elizabeth Bishop, que demonstraram interesse em vender as suas obras.


Mais tarde, no final da década de 1960, Santos Reinbolt inicia a produção de seus singulares e pioneiros “quadros de lã”, realizados com 154 agulhas, em diversas cores, como uma paleta, que a artista usa à maneira de pinceladas sobre a estopa ou a talagarça. “A agulha torna-se dessa forma um prolongamento da mão, como o pincel na pintura. É assim que Santos Reinbolt obtém a movimentada superfície de suas tapeçarias, dinâmicas, volumétricas e altamente cromáticas”, descreve Amanda Carneiro.

“Em ambas as técnicas há em comum a expressão de cenas amplas, criadas em grandes massas, com motivos esquemáticos e de onde pouco a pouco conformam-se os limites que ensejam as personagens, a fauna e a flora, as cidades, os parques, as igrejas e as lagoas – ambientes de sociabilidade que integram humanidade e natureza, de onde surgem seus enredos em narrativas reimaginadas”, explica a curadora. “Seus quadros sugerem um movimento que ultrapassa os elementos que os constituem individualmente, como se, em conjunto, fossem animados, vibrando em lampejos a invenção de uma memória que opera a construção do fio de sua vida”, finaliza.



Judith Lauand (Pontal, São Paulo, Brasil [Brazil], 1922) Acervo 41, Mulher fumando (Abraço) [Collection 41, Woman Smoking (Hug)], 1969 Acrílica sobre tela, 60 x 60 cm Coleção Particular, São Paulo Foto [Photo]: Isabella Matheus

Judith Lauand: desvio concreto

De 25 de novembro de 2022 a 2 de abril de 2023, a mostra individual Judith Lauand: desvio concreto, que ocupa o 1º andar do museu. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Fernando Oliva, curador do MASP, e assistência de Matheus de Andrade, assistente curatorial do MASP, a exposição é a maior já dedicada à obra da artista concreta, que neste ano completou 100 anos de vida e mais de sete décadas de produção.

Judith Lauand (1922, Pontal, SP) graduou-se em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes de Araraquara, em São Paulo, cidade que integrava importante polo econômico e cultural da época. O ambiente progressista da faculdade mostrou-se decisivo para o seu momento de abandono da figuração, em direção ao abstracionismo e à geometria, como revela este trecho extraído de um manuscrito de sua autoria:

“Pintei uma natureza-morta. Então eu me levantei e me distanciei da tela para ver o que havia feito. Vi um quadro abstrato. O prato eram vários círculos, a garrafa um retângulo, a mesa, triângulos e no fundo sinais de objetos. Procurando depurar os traços, buscando só o essencial, realizei uma pintura abstrata com base em formas da natureza.”


Em 1952, Lauand mudou-se para São Paulo com a família. Em 1954, foi monitora na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, momento em que entrou em contato com a obra de artistas como Alexandre Wollner (1928-2018) e Geraldo de Barros (1923-1998). No ano seguinte, recebeu um convite de Waldemar Cordeiro (1925-1973) para fazer parte do Grupo Ruptura, sendo a única mulher a participar ativamente desse movimento histórico que reuniu, de modo pioneiro, artistas interessados em desenvolver a arte concreta no Brasil. Lauand fez parte também da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada primeiro no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1956, e depois no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1957.

A mostra Judith Lauand: desvio concreto pretende fomentar novas pesquisas e debates em torno do seu trabalho, por meio de 124 obras e dezenas de documentos de seu arquivo pessoal, colocando em perspectiva a decisiva transição – um desvio –, operada por ela em meados dos anos 1950, do figurativismo para a geometria abstrata. Ganha destaque na mostra a obra Acervo 29, Concreto 33 (1956), uma das mais emblemáticas em sua trajetória e que acaba de ser doada pela família da artista ao MASP no contexto desta mostra, sendo a primeira de sua autoria a integrar a coleção da instituição.



SERVIÇO DO MUSEU

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista

01310-200 São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terça grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h); fechado às segundas. Entrada gratuita em todas as primeiras quintas-feiras do mês – um oferecimento B3.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 50 (entrada); R$ 25 (meia-entrada)

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